Nas interações com empresárias e empresários juniores, quando estamos falando sobre resolver os grandes desafios de Diversidade e Inclusão estruturais no Brasil, o sentimento que mais percebo é o de impotência. Especialmente quando o assunto é desigualdade racial. É interessante perceber sobra vontade e disposição, mas falta um entendimento profundo de como atuar sobre as estruturas institucionais das EJs e das instâncias.
Para quem estiver nessa situação, aqui vão algumas dicas:
- Encare o desafio de Diversidade e Inclusão como você encara qualquer outro desafio. Sabe aquela história de, objetivos, metas, resultados chave e plano de ação. Pois é, simples assim. Faz um plano desse, testa, vê o resultado e no ano que vem melhora. Cada EJ e instância vai ter o seu próprio plano.
- Estude tudo que você puder sobre Diversidade e Inclusão. Caso você não faça parte de um grupo racialmente minorizado, esta é mais uma razão para se debruçar em livros, vídeos e cursos sobre o tema. Vai por mim que tudo que estou escrevendo nesse artigo está em algum lugar na internet.
- Contrate uma consultoria para apoiar no que você não souber. Mesmo estudando e sabendo “o que” fazer, o grande desafio da implementação de Diversidade e Inclusão está no “como fazer”. Nesse momento, é fundamental ter o apoio de alguma consultoria do tema. Especialmente porque esse é um tema onde ninguém da EJ consegue se isentar, afinal, todos nós fazemos parte de algum grupo racial.
- Crie ações afirmativas no psel (processo seletivo), preferencialmente com reserva de vagas. É isso mesmo, similar ao que a MagaLu fez. Não é fácil comunicar um psel com ações afirmativas e caso as ações sejam uma reserva de vagas fica ainda mais difícil. Por isso, volte no ponto três e peça o suporte de alguém que trabalhe com isso. Lembrando que ações afirmativas são quaisquer ações que tratem grupos desiguais de maneira desigual buscando a igualdade de oportunidades. Já pensou em enviar uma carta escrita a mão pra cada pessoa negra que entra na faculdade, falando do quanto a EJ gostaria que ela fosse uma integrante do time? Já pensou em fazer isso nas EJs, convidando as pessoas para a federação? Quando qualquer pessoa negra olha uma foto do MEJ ela pode sentir que não será bem vinda. Ações como essa ajudam a mitigar esse sentimento.
- Crie uma reserva orçamentária para Diversidade e Inclusão. Você pode começar por patrocinar programas de formação de lideranças negras ou financiar a presença delas em eventos do MEJ, caso a EJ/federação ainda não faça isso. Se não tiver dinheiro para todo mundo, comece por onde for possível. O importante é começar e normalizar a prática de canalizar investimentos nesses grupos.
- Crie um editorial de comunicação anual focado em celebrar a diversidade. Tanto de comunicação externa, quanto interna e se esforce para ir além de posts com datas comemorativas. Crie rituais que mostram o compromisso da EJ ou da Instância com a diversidade. Revisite os seus hinos e veja se alguma frase pode ser trocada para valorizar grupos minorizados.
- Reveja a sua cadeia de fornecedores. Você sabe quantos deles são negros? Comece a considerar a diversidade racial como um critério para contratar pessoas negras. Desde coffee para eventos, empresas de áudio e som, gráficas e até cursos de desenvolvimento humano.
- Adicione formalmente no site todos os compromissos da EJ ou instância com a diversidade. Isso ajuda a atrair talentos desses grupos. Importante, também, ter um canal de ouvidoria seguro para receber qualquer denúncia em relação ao tema.
- Crie programas de formação continuada em relação a diversidade. A grande parte das pessoas está começando a aprender isso agora e não recebem conteúdos relevantes sobre o tema. Contrate pessoas negras para palestras e workshops sobre diversidade racial, mulheres sobre diversidade de gênero e por aí vai. Essas formações vão ajudar a normalizar as discussões e a acelerar o processo de implementação de Diversidade de maneira saudável e eficiente.
- Crie um papel de Diversidade e Inclusão. Alguém precisa ser dona/o de tudo isso. Sem uma pessoa responsável, ninguém vai se especializar para encarar o problema de frente. Além disso, não se satisfaça com as ações que você, sua EJ ou sua instância criarem. Temos um problema estrutural para resolver que é do tamanho do Brasil. Enquanto você arruma a casa, procure colaborar com esforços conjuntos e coordenados de toda a confederação para superarmos o racismo institucional dentro do movimento.
Estamos fazendo os fundamentos de um projeto de 10 anos, então, vamos começar direito. Sem pressa, mas sem pausa!