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Construtores de catedrais: a responsabilidade do MEJ na construção do Brasil

Construtores de catedrais: a responsabilidade do MEJ na construção do Brasil

Estou produzindo um documentário sobre propósito e na gravação do material tive a oportunidade de entrevistar grandes líderes brasileiros que admiro.

Um deles foi o Emerson de Almeida, um dos líderes mais inspiradores com quem conversei.

Emerson é calmo, não gosta de mídia, fala pouco e faz muito.

Admiro-o muito pelo legado que ele construiu criando a Fundação Dom Cabral — uma das melhores escolas de negócios do Mundo — e pela forma como fez isso, com muita consistência e coerência.

Uma pequena história do Professor Emerson me marcou muito:

“Três homens estavam trabalhando como pedreiros, quando algumas pessoas se aproximaram deles questionando-se por quê faziam o que faziam...
Ao perguntarem ao primeiro pedreiro, este disse que estava trabalhando apenas colocando um tijolo em cima do outro.
Perguntaram, então, para o segundo e ele falou — com desdém — que estava fazendo uma igreja.
Ao perguntarem ao terceiro, ele disse que estava construindo uma catedral que iria ligar o homem a Deus.”

Toda a equipe diz que Emerson repete exaustivamente essa história desde a criação da Fundação.

Não só repete, como vive sua vida com a perspectiva dessa história.

Essa simples parábola nos apresenta diferentes perspectivas que podemos ter para com o trabalho e nos dá uma lição de aproveitarmos esse momento no MEJ para sermos construtores de catedrais.

Aqui no Grupo Anga, que hoje detém duas empresas — Eureca e Tribo — , somos entusiastas do MEJ: mais da metade do nosso time veio do movimento.

E acreditamos no seu propósito.

Mais do que isso: acreditamos no seu potencial!

O Movimento é um reduto de jovens talentosos, cheios de vontade e muito comprometidos em fazer acontecer… se tem alguém que pode ajudar a fazer um país melhor, essa pessoa definitivamente é do MEJ.


Photo by Rafaela Biazi on Unsplash

Nossa nação vive um momento difícil.

Crise em diversas perspectivas: política, econômica, social e, principalmente, uma crise de valores e princípios.

Os prejuízos causados pela corrupção são assustadores, sem falar na ineficiência nos três setores da economia: a cada ano o Brasil cai no ranking de produtividade mundial.

E acredito que o desafio de transformar isso é do tamanho do potencial dos Empresários Juniores brasileiros.

Gosto da forma como o MEJ coloca seu propósito como uma resposta aos problemas que temos:

“Formar, por meio da vivência empresarial, empreendedores comprometidos e capazes de transformar o Brasil.”

Definitivamente, viver esse propósito significa que os jovens empresários juniores estão se propondo a serem protagonistas neste cenário.

Neste sentido, escolhi escrever sobre três pontos que todo empresário Junior precisa ter em mente para ser um construtor de catedral e dessa forma construir nossa nação.


Photo by Jordan Whitfield on Unsplash

1. Viva intensamente essa experiência

Aqui na Eureca, uma das maneiras de desdobrar o nosso propósito é por meio de processos de Educação e Seleção para empresas.

Tenho percebido, cada vez mais, que vários candidatos em nossos processos entram no MEJ com o objetivo de simplesmente colocar no currículo que fez parte do movimento… mas eles não se jogaram.

Não viveram de fato a experiência, não deixaram nenhum resultado e não deixaram que essa vivência verdadeiramente transformasse a sua vida.

E deixo aqui uma ponto de atenção: quem tomou a decisão de entrar no MEJ apenas para ter no currículo, “tá correndo como um hamster”.

Meu convite é que, se você escolheu viver essa experiência, então viva da maneira mais intensa possível.

Procure transformar e ser transformado. Não aceite viver no “oba-oba” e não se deixe ficar na superficialidade: decida sujar as mãos e fazer parte daqueles que querem fazer!

Essa experiência vai passar e a tendência é que você se arrependa mais pelo que você não fez, do que pelo que fez.

Sabendo que em nosso país, somente 7% da nossa população tem acesso a ensino superior, menos de 50% tem as condições de concluir o ensino médio, e você, além de estar em um curso superior ainda tem o privilégio de aprender na prática conceitos de gestão, visão de negócios e outros temas, é preciso valorizar e honrar essa oportunidade.

Faça acontecer, aprenda, envolva-se e faça dessa experiência a mais marcante da sua vida!

Conversei com Guilherme Ceballos, pós-júnior que hoje trabalha aqui com a gente, e ele compartilhou uma mensagem valiosa:

“Mar calmo nunca fez bom marinheiro.
Quando estamos no Movimento Empresa Júnior, temos grandes responsabilidades mas corremos poucos riscos de subsistência. O sustento da nossa família não depende dos resultados que trazemos na Empresa Júnior.
Então, porque não aproveitar essa oportunidade para se jogar de cabeça nos desafios, errar e aprender muito?
Os maiores aprendizados que tive na FEJESC, no JEWC 2016 e no ESEJ 2017 foram: quanto maior era um desafio, mais a gente suava a camisa sem medidas para entregar o que precisava.”

É preciso ir alem e fazer dessa experiência algo transformador!

Photo by Jordan Whitfield on Unsplash

2. Comprometa-se a gerar resultados

Se queremos transformar o Brasil precisamos ser capazes de entregar as nossas metas.

É preciso levar a sério os resultados com os quais nos comprometemos e isso é questão de fazer um exercício de coerência.

Por exemplo, como posso falar que vou construir o Brasil se não estou conseguindo fazer o “feijão com arroz”?

Não é errado trabalhar pensando na utopia e no longo prazo, mas é essencial que estejamos de olho nos resultados.

Se você quer fazer a diferença no Brasil, isso começa com a entrega dos resultados com os quais você se comprometeu na sua EJ.

Seja sincero consigo mesmo: o quanto você tá satisfeito com os resultados da sua Empresa Júnior até o momento?

Quero que de fato você reflita sobre essa questão.

Uma segunda pergunta é: “O que eu estou fazendo a respeito disso?”.

A resposta para essas duas perguntas vai mostrar se você é um colocador de tijolos ou um construtor de catedrais.

Ou você tá engajado em fazer a diferença no mundo ou tá conformado em ser mais um número que fez parte do MEJ e depois saiu sem gerar resultados.

Se você quer de fato ser um construtor de catedrais, minha sugestão para você é que pense em como sua EJ pode atingir maiores resultados.

Douglas Souza, que hoje é diretor comercial do Grupo Anga e pós-júnior — já foi embaixador da BJ em Bruxelas, Presidente da FEJEMG e aluno em Harvard — , diz que para uma EJ atingir resultados ela precisa ter três focos principais:

1- Gente: formar pessoas conscientes da importância de se empreender a cada dia dentro da organização, provocando o status quo e buscando constantemente resolver o problema de seu cliente;

2- Cultura: criar uma cultura que sustente a busca por resultados e que, além disso, reconheça aqueles que busquem fomentá-la de forma clara e genuína;

3- Negócio: entender muito as necessidades do mercado e investir grande parte de sua energia buscando soluções inovadoras e de alto valor agregado.


Exercício prático:

Aqui vai uma sugestão para você avaliar sua empresa júnior ou federação nessas três perspectivas.

Ao passar por cada pergunta procure entender quais são os maiores desafios e as grandes oportunidades que você enxerga.

1. Sua empresa tem um propósito claro? E cada integrante sabe como o propósito pessoal interage com o propósito da organização? Todos são conscientes do impacto que causam por meio da empresa?

2. Todos na empresa são conscientes da estratégia da empresa? Todo mundo sabe para onde está indo e quais os próximos passos?

3. Existe uma forma de acompanhar, em tempo real, os indicadores da empresa? Todo mundo sabe o que tem que atingir?

4. Existe uma preocupação com o desenvolvimento do time, seja de maneira formal ou informal?

5. O clima organizacional é caloroso e inspirador, existe um ambiente de vulnerabilidade e confiança?

6. A liderança é coerente com os valores e inspira pelo exemplo?

7. Existe uma cultura de autorresponsabilização onde todos cobram todos?

8. O potencial de todos está sendo usado plenamente? Todos estão dando sua máxima contribuição?

9. O time tem demonstrando resiliência e determinação diante de dificuldades? Estão focados em atingir o resultado?

10. Você tem conseguido gerar valor para seu cliente? Qual o nível de encantamento do cliente com seus serviços?

11. Sua EJ tem buscado maneiras inovadoras para ajudar os clientes?

E alguns bônus:

O que está faltando na sua EJ para atingir resultados que sejam ainda maiores e melhores? Onde tem sido o ponto de fragilidade na gestão de vocês? É importante entender as raízes do problema? Quais as causas que estão trazendo essas consequências?

E esse ponto deve ser discutido com o time, em um espaço onde todos possam se expressar.

Por último, o desafio é pensar em possíveis soluções, responsáveis e prazos para implementação, de maneira clara e transparente.

Além dos pontos já citados é essencial que a liderança desperte a vontade do time de crescer, de querer entrar para ganhar e não somente para empatar.

Criar uma cultura de grandeza.

Como disse Jim Collins, quando estudou empresas que conseguiram crescer consistentemente por um período de 15 anos seguidos:

“A grandeza não é, em essência, questão de circunstâncias, mas de escolha consciente e disciplina.”

Não existe receita, mas acredito que esse é um bom começo para se criar uma cultura de resultados e de alta performance.


Photo by Daryn Stumbaugh on Unsplash

3. Leve os valores do MEJ para onde for.

Uma coisa que tenho visto também é que infelizmente bastante gente, depois que passa pelo MEJ, simplesmente deixa de lado os valores, essência e propósito com que se conectou.

E quando vai para o mercado decide jogar o jogo da inconsciência, da competição desleal, do dinheiro pelo dinheiro.

O ponto mais importante é que você não pode se perder quando sair daqui.

É preciso levar a sério esses valores ao longo de toda a sua vida.

Não deixe o mercado e o mundo corporativo te corromperem: trabalhe sempre pelo propósito maior, para fazer o mundo ser melhor.

Conheço vários pós-juniores e que levam a sério os valores que aprenderam no MEJ e continuam fazendo a diferença onde vão.

Isso nos mostra que é possível, ao sair do MEJ, continuar com o DNA que se aprendeu dentro dele.


Essas são minhas sugestões para que o empresário júnior se torne um construtor de catedrais.

Hoje vivemos debaixo de catedrais construídas por grandes nomes, como Ayrton Senna, Santos Dumont, Cora Coralina, Rachel de Queiroz… todos foram grandes e relevantes construtores de catedrais e nos inspiram, e agora chegou a nossa vez.

Precisamos nos comprometer aqui e agora com os desafios que temos para nos tornarmos grandes líderes.

Temos um excelente ambiente para nos testar, fazendo o melhor com os recursos que temos na mão.

Dessa forma estaremos construindo catedrais e quem sabe se tornando objeto de pesquisa de historiadores do futuro que irão contar como nossa geração escolheu fazer a diferença no mundo e construir um grande legado.

Vamos nessa?

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