Antigamente, o melhor método para desenvolver um novo produto ou serviço era planejar detalhadamente tudo antes do lançamento por dois motivos:

  1. A velocidade da mudança era menor que a de hoje então muito provavelmente o mercado do lançamento do produto seria o mesmo que durante todo o desenvolvimento

  2. Os recursos tecnológicos eram limitadas e caras, dificultando experiências e testes

Hoje o cenário é completamente diferente. Se demorarmos para por nossa ideia no mercado muito provavelmente ela se tornará ultrapassada!

Além disso, os recursos tecnológicos são cada vez mais acessíveis, permitindo que o produto seja testado, avaliado e corrigido os problemas que surgiriam após o lançamento final

Isso é o fundamento do minimum viable product (MVP) ou mínimo produto viável, no bom português.

Mas o que é MVP exatamente?

No livro The Lean Startup, Eric Ries define: “O MVP é aquela versão do produto que permite uma volta completa do ciclo construir-medir-aprender, com o mínimo de esforço e o menor tempo de desenvolvimento”.

Repare, o MVP é o protótipo do seu produto para teste. Por isso, é muito importante que ela seja construído de uma maneira que seja capaz de te dar feedbacks de como e onde melhorar.

Para exemplificar, vou trazer um case de um projeto que rolou na TECMEC, onde precisávamos validar as dimensões de uma estrutura metálica que projetamos.

A estrutura era um tanto complexa, envolvia dobra, corte e solda de chapas metálicas. Como só precisávamos ter uma idéia do espaço que essa estrutura ocuparia no local de trabalho do cliente, montamos um protótipo da estrutura projetada com pedaços de madeiras que achamos na universidade e colocamos onde ficaria o projeto final.

Essa experiência já deu muita clareza para nós de quais partes poderíamos diminuir ou aumentar, além do feedback do cliente.

MVP e prototipação são a mesma coisa?

Prototipação é o ato de construir um modelo do produto final com o intuito de validar alguma hipótese ou fazer mudanças marginais nas funcionalidades para melhorar a qualidade do produto final.

Já o MVP é um tipo de prototipação que, além disso, também permite que, se necessário, pivote-se todo o conjunto de funcionalidades do produto para que este se adeque mais ao que o mercado precisa, tudo isso gastando a menor quantidade de dinheiro e tempo possível.

E quando devo fazer um MVP?

Um projeto para desenvolvimento de um novo produto ou serviço envolve 3 etapas principais: a ideação, o desenvolvimento e a validação.

O MVP é feito na etapa de validação, para testar as funcionalidades pensadas na ideação e estruturadas no desenvolvimento do projeto.

Não tem um momento exato de validar seu MVP, mas uma dica é faça a validação do seu MVP quando o projeto precisar de verdades para seguir.

Isso porque é comum tomarmos algumas coisas como verdade nos nossos projetos internos de EJ para passarmos para as próximas fases do projeto mais rápido.

O problema é que muita dessas “verdades” que tomamos não condiz com a realidade do mercado, porque temos um olhar viciado pela experiência com alguns clientes. Criar um MVP ajuda a testar as funcionalidades do produto do projeto e descobrir quais são essas “verdades”.

Como fazer um MVP?

Existem diferentes métodos para se fazer um MVP, sendo que o método utilizado deve ser escolhido com o formato do produto final e a hipótese a ser validada em mente. Alguns métodos são:

  • Entrevistas com possíveis clientes;

  • Mockups (Maquetes)

  • Mágico de Oz: É quando processos que seriam feitos automaticamente no produto final, são feitos manualmente.

  • Vídeos: Fazer um vídeo explicando a ideia pode aumentar a captação de early adopters. Exemplo: No começo, o Dropbox lançou um vídeo de MVP explicando a ideia do software

  • Single Feature: Lançar uma versão do produto com a única funcionalidade que deseja testar a aceitação no mercado.

Porque devo fazer um MVP?

Se voltarmos a definição do Eric Ries vamos perceber que o MVP deve ser construído com o mínimo de esforço e tempo possível.

Sendo assim, o MVP é uma maneira rápida, barata e segura de testar se sua ideia realmente soluciona o problema proposto.

“E se o MVP mostrar que minha ideia não resolve o problema?” As chances são grandes de isso acontecer, mas o MVP está aí pra isso! Aprenda com o processo, colha feedbacks e proponha uma nova solução ou adapte a primeira.

Quando trabalhamos com inovação é muito importante se permitir testar e errar e não se apegar a sua primeira solução, porque muitas das vezes ela não é a melhor.

Como medir o sucesso de um MVP?

Infelizmente, não uma fórmula secreta para medir sucesso do MVP, tudo depende do seu objetivo com o teste.

Uma dica é: defina métricas e metas para o seu produto e MVP. Se sua EJ estiver querendo escalar um novo produto ou serviço, uma noção de sucesso pode ser X empresas manifestar interesse pelo seu MVP, por exemplo.